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Seminário nacional em Brasília debate feminicídio e saúde mental das mulheres

Mulheres seguram grande bandeira roxa do Coletivo de Mulheres da Central de Movimentos Populares durante atividade coletiva em espaço amplo.

O Brasil entrou em 2026 com um dado que exige resposta pública e mobilização social. Em 2025, o país registrou 1.568 vítimas de feminicídio, alta de 4,7% em relação a 2024. Trata-se do maior número desde que o feminicídio passou a ser tipificado no Código Penal, em 2015.

Por trás do número, há vidas interrompidas, famílias atingidas e comunidades marcadas pela violência. Quando você observa essa escalada, percebe que o problema não pode ser tratado como episódio isolado nem como questão restrita ao ambiente privado. Os dados apontam para uma violência persistente, ligada a relações de poder, desigualdade e falhas na proteção institucional.

O que os dados mostram

Os levantamentos divulgados em março de 2026 mostram que a maioria dos feminicídios ocorre dentro da própria residência, o que reforça o caráter doméstico dessa violência. Também indicam que grande parte dos crimes é cometida por parceiros ou ex-companheiros, revelando que o risco frequentemente está no convívio mais próximo.

O recorte racial também chama atenção. Segundo os dados, 62,6% das vítimas em 2025 eram mulheres negras. Isso evidencia que a violência de gênero se cruza com desigualdades sociais e raciais, atingindo com mais força mulheres que já vivem contextos de maior vulnerabilidade.

Esse cenário ajuda a sustentar a avaliação do Coletivo de Mulheres da Central de Movimentos Populares: o feminicídio não é um problema individual. Ele se insere em uma estrutura marcada por machismo, desigualdade e ausência ou insuficiência de políticas públicas eficazes.

Seminário em Brasília

É nesse contexto que no sábado (28/03/2026), foi realizado em Brasília, o Seminário Nacional do Coletivo de Mulheres da CMP para debater o enfrentamento ao feminicídio e a saúde mental das mulheres. A proposta foi discutir caminhos concretos para ampliar a prevenção, fortalecer redes de proteção e defender políticas públicas que alcancem especialmente as periferias.

O debate sobre saúde mental aparece como parte central dessa agenda. Mulheres submetidas a contextos continuados de violência convivem com medo, esgotamento, insegurança e sofrimento psíquico. Por isso, enfrentar o feminicídio também exige cuidado integral, escuta qualificada e acesso real aos serviços de proteção e apoio.

Ao lado da punição aos agressores e da aplicação efetiva das leis, o momento exige investimento contínuo em prevenção, acolhimento e educação. Os dados nacionais reforçam essa urgência. Desde 2015, ao menos 13.703 mulheres foram mortas no país em razão de sua condição de gênero.

A mensagem do seminário é direta: sem organização popular, a rede de proteção fica mais frágil. E sem política pública efetiva, a violência continua avançando. Lutar pela vida das mulheres é lutar por justiça, cuidado e direito de viver sem medo.

Síntese da Notícia

Com 1.568 feminicídios registrados em 2025, o Brasil chegou ao maior patamar desde a tipificação do crime. Diante desse quadro, o Coletivo de Mulheres da CMP realizará em Brasília um seminário nacional para discutir prevenção, saúde mental, redes de proteção e enfrentamento à violência estrutural contra as mulheres.

Autor

Central de Movimentos Populares do Vale do Aço

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